Monthly Archives: Fevereiro 2012

O Livro Negro das Cores

O Livro Negro das Cores

Numa tentativa de passar a experiência da cegueira, este livro, da autoria de duas artistas venezuelanas, é uma experiência triunfante de leitura. Texto branco em páginas negras, encimado por braille; na página oposta, também negra, as imagens sugeridas pelo texto estão impressas em verniz espessurado, convidando o leitor a tocá-las. (Descodificar as imagens desta forma, propositadamente, é difícil) “O Tomás – começa o narrador – diz que o amarelo sabe a mostarda, mas é suave como as penas dos pintainhos”. Do lado oposto, delicadas penas flutuam pela página. Embora o conceito seja, por si só, cativante, as citações sobre cor revelam Tomás como um personagem de carácter forte. O vermelho “dói”, o castanho “estala” e o verde “sabe a gelado de limão”. São afirmações vindas de alguém que já meditou bastante sobre o assunto. No entanto, “…o preto é o rei das cores. É suave como a seda quando a mãe o abraça e o envolve com o seu cabelo.” Seria um erro entender este livro como uma mensagem sobre a compensação dos outros sentidos na cegueira; essa interpretação não faz justiça a tudo aquilo que o Tomás nos oferece quando saboreia, sente, ouve e cheira as cores.

– Publishers Weekly –

O texto sensorial e descritivo, acompanhado por braille e combinado com um design inovador, faz deste livro um perfeito ponto de partida para discussões sobre a diferença, perspectiva e o experienciar e descrever o mundo de forma diferente, tópicos relevantes para leitores de todas as idades.

 – Kristen McKulski | Booklist –

Destinado a todos os leitores, independentemente das suas limitações visuais, este álbum narrativo apela também a um olhar mais solidário e mais integrador das diferenças.

 – Ana Margarida Ramos | Casa da Leitura –

“A visão é certamente um grande veículo para a aprendizagem, relacionamento e apropriação da realidade, mas não é o único. Temos de lutar para recuperar a riqueza sensorial do indivíduo. O aspecto meramente visual torna-nos superficiais.

Cottin afirma que, ao contrário do que parece à primeira vista, o seu livro não se destina a pessoas cegas, mas às pessoas com a capacidade de ver. “O objectivo é que o leitor se detenha por um momento e imagine como será esse mundo (da cegueira), como também nele há beleza.”
Angel Vargas –
Deixo-vos com uma pequena mostra do conteúdo do livro num booktrailer da primeira versão editada pela editora Tecolote.

A versão portuguesa esteve a cargo da Editora Bruaá, cujo excerto poderá aqui vizualizar, que igualmente disponibiliza algumas sugestões de actividades para exploração do livro.

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Onda

Sem palavras. Assim é contada a história em Onda, livro-imagem da coreana Suzy Lee

Contar uma história sem palavras e ser capaz de criar uma narrativa que pode ser lida inúmeras vezes, descobrindo detalhes novos em cada experiência. E essa palavra – experiência – é apropriada para definir o que é ler Onda.  Universal como o mar, as imagens relatam o primeiro encontro de uma menina com o oceano. Em poucos traços a carvão, Lee ilustrou em azul, preto e branco o ruído das águas, o bater de asas das gaivotas, o vento que balança o vestido da criança e a conversa silenciosa que se estabelece ao longo desta narrativa. Detalhista, Suzy Lee manuscreveu o título de cada uma das edições estrangeiras, inclusive o desta.

Deixo-vos aqui uma animação deste belíssimo livro. Desfrutem!

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